segunda-feira, 1 de setembro de 2014


Aonde vai com essa pressa garota? A maioria das coisas boas da vida acontece devagarinho!

Podemos ir devagarinho pedalando sobre a simplicidade, deixando a brisa bagunçar os cabelos; e, mesmo devagarinho, a gente chega lá longe e descobre onde o sol se esconde!

Devagarinho os dias desabrocham e as surpresas chegam de mansinho e cutucam.

Então siga, linda garota, continue pela estrada mastigando as esperanças e lembranças, siga!

Siga devagarinho, saboreando a vida!

Calebe Ribeiro.

domingo, 31 de agosto de 2014


O desafio do Balde do Gelo ou Ice Bucket Challenge atrai as atenções do mundo para uma doença, cruel: a ALS (Esclerose Lateral Amiotrófica). Tão cruel para um atleta, um trabalhador de escritório ou para um músico. Cruel pois pode privar o portador de todos os movimentos do corpo.

Eu, como guitarrista, não posso imaginar como seria ter meu corpo todo imóvel e olhar para o instrumento, sem poder o empunhar. Talvez em minha vida, numa condição dessas, a música morreria.
Penso que no caso de Jason Becker foi a música que o manteve vivo, e é a música que continua o fazendo viver.

Jason, a partir do apoio riquíssimo das pessoas que lhe rodeiam, foi capaz de continuar produzindo música e os únicos movimentos que precisou para isso foi o dos olhos, entretanto sua mente nunca deixou de se mover.

Jason, deixa transparecer a sua alma num sorriso constante exposto em seu rosto e comoveu-nos mais uma vez fazendo parte do desafio do balde do gelo, mesmo sendo um portador dessa condição, a seu modo, arrumou um jeito de participar.

Pessoas como ele, nos ensinam sem precisar de movimentos bruscos ou de palavras. Pessoas que arrumam soluções e alternativas, pessoas que não desistem sabendo que a vida pode ser vivida de milhões de jeitos.

A felicidade não depende de padrões pré estabelecidos, a vida é que as vezes pede da gente criatividade.

Precisamos criar para continuar vivendo, e Jason Becker continua criando música, se mantendo vivo e fazendo viver.

Confira o emocionante desafio do balde do gelo, que pra mim, foi o melhor de todos até agora:




Calebe Ribeiro.

Talvez mais dez ou talvez mil léguas e o Viajante Solitário chegaria ao destino. De cima, a águia esbranquiçada nos acompanhava, no seu próprio ritmo. O navio desenhava de vermelho a paisagem dominada pelo azul daquele oceano. Ela era os pensamentos dos pequenos e os sonhos dos valentes.

Não se tratava de uma viagem para guerra, embora de guerra ela era feita. Os corações permaneciam apertados como em gaiolas, olhos brilhavam com as memórias e a saudade de casa era viva. Os valentes, por vezes, se sentiam como prisioneiros de batalhas do oceano contra o céu.

Aquela era a minha primeira viagem e, agora, oficialmente como marinheiro. O navio parecia seguir para lugar nenhum, para onde eu olhava via mar e a sensação é que as águas nunca teriam fim. O céu se juntava ao mar, numa assustadora cortina azul. Eu me sentia cada vez menor, cada vez mais insignificante. O meu único prazer era observar o voo da águia, que parecia ser a única alma livre de todo o universo.

O azul se adulterou em tons de cinza quando as nuvens se formaram no horizonte e os ventos começaram a se fortalecer, então, a águia voava para atingir maiores alturas, até que eu a perdi de vista. O Viajante Solitário balançava junto com as ondas que cresciam e os marinheiros corriam de um lado para o outro seguindo as instruções do velho comandante. Não demorou para que a tempestade chegasse e molhasse a todos, por dentro e por fora.

Ninguém reparou na águia, inclusive eu, que só me lembrei dela com a calmaria que veio apenas no raiar do dia. Exausto e com o corpo dolorido, ouvi o som que lá no alto a águia fazia. Os outros marujos estavam estirados, cada um num canto; apenas o comandante ainda estava firme no seu posto com as duas mãos no leme, onde permanecera a noite toda.

Subi as escadas, me esforçando para manter os olhos abertos, enquanto o comandante continuava parado e concentrado. Seus olhos, na verdade, estavam fechados e tranquilos, contrastando com as instruções berrantes que dera aos seus homens na noite anterior; foi quando ele proferiu algumas palavras calmas e inaudíveis.

- "Comandante, o que você disse?" - Incomodado perguntei, sem entender de onde aquela paz vinha. A resposta veio após uma eternidade que durou apenas um minuto:

- "Deixe-me aproveitar o voo, meu jovem".

Calebe Ribeiro

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Um dia desses, muito resfriado precisei ir ao médico. Foi fácil prever que o hospital estaria lotado, pois tive que dar passagem para duas apressadas ambulâncias do corpo de bombeiros, certamente correndo contra o tempo. Realmente haviam muitos doentes no local, tal como crianças, idosos e alguns com necessidade de atendimento urgente.

Optei por seguir para a Santa Casa de Misericórdia da cidade, talvez por lá a fila de atendimento estivesse mais curta. Para minha surpresa o local estava praticamente vazio, cheguei, dei meus documentos, esperei cerca de quinze minutos e logo fui atendido.

Filosofei comigo mesmo sobre a situação de cada recepcionista no seu respectivo ambiente nesse dia, extremamente distinto. Havia a recepcionista do Hospital, que naquele dia estava “envelhecendo um mês”, também existia a recepcionista que estava muito confortável e de bom semblante na Santa Casa.

A realidade, às vezes, obriga a desdobrar-nos em mil, em outras, apenas precisamos relaxar e fazer o que estamos habituados a fazer, sem crises, sem complicações, apenas levando a vida e nossas rotinas. Por mais que estejamos sempre lutando contra leões, existem pessoas que estão sofrendo, esperando na fila e necessitadas de atendimento urgente.

Sempre existirão recepcionistas, doentes urgentes, pessoas que poderiam esperar e que, ainda assim, foram atendidas primeiro.

Tenhamos bom ânimo, hoje em cima, amanhã embaixo, respiremos fundo, pois não vemos tão nítido como pensamos.Talvez amanhã, a Santa Casa que estará cheia...

Calebe Ribeiro.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O abrir das cortinas dessa manhã de segunda-feira deixou invadir o meu quarto a saudade. A saudade é volumosa, preenchendo cada canto, pousando e depositando em mim todo o seu peso, pressionando para baixo os meus ombros e multiplicando a força da gravidade que suga pra si os meus passos. A palavra-chave torna-se: recomeço. Aquela sensação de estar de volta a um ponto que se esteve no passado, um ponto bem definido que você conhece muito bem.

Essa saudade, que é minha sina, se revela quase como impotência contrastando com o imutável, que só se encontra no que é divino. E é essa minha humanidade simplória que deixa claro que não tenho nas mãos o controle de quase nada e que quase sempre as tentativas de permanecer, seguir e continuar sem parar não obtém sucesso. Só é possível continuar após uma pausa para respirar, algumas horas para dormir, algumas semanas de férias pra descansar. Além dessa força limitadora física, o mundo nos leva o tempo, a juventude... os amores.

O mundo toma os nossos tesouros e nos nossos braços despeja um caminhão de saudade. E, novamente, a saudade se prova companhia certa de quem abriu os olhos para esse mundo e respira a humanidade.

Estranhamente, mesmo sendo da saudade um dominado e não dominador, vejo que não é possível ser feliz sem ser feito uma parte de saudade. Ela é como um inverno grandioso que escancara em nós a beleza do verão. É essa poderosa saudade que joga na sua cara a necessidade de recomeços, de luta e de suor. A saudade está nos amores que vão e um dia acabam retornando e nos oferecendo um novo velho mundo, e também está nos amores que não retornam e nos obrigam a iniciar novamente, consigo, redescobrindo o que em nós um dia foi esquecido.

A saudade é ríspida, e por vezes mal educada, mas ela tem boas intenções. Após brigar muito com ela, descobri que sua dor tem também um poder que cura. A saudade preenche, ela é capaz de fazer lutar e reviver. Sem saudade não existe memória, não existe história, sem saudade as coisas perdem o valor. A saudade pode nos fazer sentir impotente no presente, mas ela pode expandir a visão do futuro e nos revelar paisagens que atiçam nossa sede de vitória.

A saudade potencializa a força que as vezes a gente esquece que tem.

Calebe Ribeiro

terça-feira, 19 de agosto de 2014

*Alguns spoilers da primeira temporada e do primeiro livro


Em primeiro lugar, Game of Thrones é uma das melhores séries feitas nos últimos tempos. Com certeza é uma das minhas preferidas, tanto pelo enredo quanto todos os elementos  fantasiosos ou não  que ela possui. Porém, estou certo em afirmar que apenas assistir o seriado é o equivalente a uma pequena amostra do que você encontraria nos livros que compõe "As Crônicas de Gelo e Fogo".

Por regra, praticamente sem exceções, os livros são melhores que os filmes e seriados. É senso comum de que seria realmente muito difícil produzir uma obra equivalente ao livro. O trabalho de externar toda a imaginação e sentimentos do autor de um livro é uma missão quase impossível.

Existem superproduções excelentíssimas, como encontramos na trilogia de "O Senhor dos Anéis", que conseguem transferir de maneira razoável o mundo da literatura para as telas. Livro ou filme, sempre haverá limitações de cada mundo distinto por natureza, ou seja, livros possuem uma gama de recursos literários e os filmes/seriados, recursos cinematográficos  pode-se assim dizer.

Como seriado de TV, Game Of Thrones é magnífico, mas o volume de história que encontramos nos livros realmente não tem comparação.

George RR Martin, ao ser questionado sobre a velocidade com a qual o seriado avança na história que fez com que os roteiristas do seriado Game of Thrones praticamente alcançassem os livros, rebateu da seguinte maneira: "Eles, definitivamente, me alcançaram. Eles escrevem roteiros de 60 páginas e eu escrevo livros de 1.300 páginas. Não existe dúvida de que a série avança muito rapidamente. Mas, o fato de eu me preocupar ou não, não faz diferença. Tudo o que eu posso fazer é escrever uma palavra de cada vez, uma frase de cada vez, um livro depois de outro”.

Eu, há cerca de uma semana, iniciei a leitura do primeiro livro "A Guerra dos Tronos", está sendo uma experiência maravilhosa saborear cada palavra escrita nessa obra. E, como acompanho também o seriado, ficou muito fácil fazer comparações. O que me motivou a escrever esse texto foi um capítulo todo dedicado ao Bran Stark.

Existem certos pontos de um livro onde você se encontra literalmente dentro do personagem. Um desses momentos é quando Martin explica a visão de Bran Stark, suas sensações, os seus sonhos enquanto permanecia desacordado após a queda das muralhas do castelo. Essa abordagem talvez tenha alguma diferença da maneira com a qual o seriado mostra os sonhos de Bran.

O que eu quero chamar atenção é que as diferenças de roteiro e na trama em si, para mim, não são as partes que mais fazem falta quando assistimos à série. Para mim, os sentimentos intrínsecos dos personagens, onde só uma narrativa poderia descrever minuciosamente, é que fazem falta. Prefiro não detalhar, inclusive para motivar quem ainda não leu os livros.

Não ler os livros é perder uma parte muito importante da história de Martin. Para quem é fã do seriado, recomendo muito que leia, ainda que, apenas os capítulos iniciais do primeiro livro. Provavelmente a leitura não ficará nos primeiros capítulos, afinal, captar a alma de cada personagem em profundidade só será possível lendo os livros, o que faz valer muito à pena.

Nos livros, a cada capítulo você se verá dentro de alma de alguém: ora Jon Snow, ora Sansa, Ned Stark, Arya, Tyrion Lannister, enfim, assistir a série Game of Thrones não é o suficiente!

Calebe Ribeiro

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domingo, 17 de agosto de 2014

Ter o hábito de ler é de extrema importância, pois além de multiplicar nosso conhecimento, traz entretenimento, nos transporta para novas épocas e novos mundos. Além do mais, ter uma coleção de livros numa estante é, inclusive, apaixonante. Para isso precisamos ter um local adequado, bastante espaço disponível e uma série de cuidados especiais. Pena que isso custa caro! Que tal darmos uma olhada nas vantagens do leitor de livros digitais? Esse gadget, conhecido também por e-reader, pode ser a solução.

Economia

Além do dinheiro gasto nos livros comuns, também precisamos investir algum recurso para armazená-los e não danificá-los. Livros precisam de cuidados e é importante ter um local seguro e protegido para eles.

Embora você tenha que desembolsar algum valor para comprar o seu e-reader, isso logo poderá ser recuperado, afinal, os e-books costumam ter preço mais baixo do que os livros comuns, além de que existem muitos destes disponíveis gratuitamente para leitura.


Disponibilidade

Viu um livro na internet e se interessou? Se for um livro comum, ou você terá que deslocar-se a uma livraria ou terá que encomendar e aguardar. No caso dos livros digitais isso não ocorrerá. Viu um livro digital e interessou? É só comprar e sair lendo. Confortável, não é?


Recursos adicionais

Muitos leitores digitais contam com grandes recursos impossíveis em livros comuns. É possível, por exemplo, ter um dicionário no próprio dispositivo, inclusive de outras línguas.

Outro recurso bastante útil é a opção de marcadores, ou seja, pode não ser necessário se preocupar até onde você leu, pois é possível retornar exatamente onde você parou, sem dificuldade.

Alguns dispositivos permitem alterar a formatação e até a fonte do livro. É possível sublinhar partes importantes, o que é uma "mão na roda". Alguns mais robustos, tocam música e até possuem navegador de internet!

Até mesmo os leitores mais simples permitem o armazenamento de centenas ou milhares de livros, além do mais, a autonomia de bateria desses dispositivos costuma ser alta - semanas ou até meses.

A tecnologia de tela utilizada também é equivalente a experiência de um livro comum, permite a leitura em praticamente qualquer tipo de luz ambiente e não causa cansaço visual.


Espaço e Portabilidade

Essa é uma das mais óbvias vantagens desses dispositivos. Eu, particularmente, acho linda uma estante forrada de livros ou passar horas em uma biblioteca particular. O problema é que nem sempre temos espaço disponível, e, nisso os leitores digitais são os nossos maiores aliados.

Vai fazer uma viagem e quer levar uns 10 livros? Se você não tem um leitor digital, dificilmente conseguirá. Com um em mãos, basta baixar os livros que quiser, jogar na mochila e pronto!

Muitas vezes você pode deixar o notebook e os livros em casa e ir para faculdade apenas com o seu e-reader.


Cheiro de livro novo é tão bom quanto olhá-los organizados na estante, mas se isso não está sendo viável, que tal um Kindle, Kobo, iRiver ou qualquer outro leitor? Caso julgue que alguma outra vantagem deva ser mencionada, deixe seus comentários.

Calebe Ribeiro
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sábado, 16 de agosto de 2014



O site Business Insider publicou um trecho do livro de Stephen King "On Writing", onde ele oferece grandes conselhos para quem deseja escrever melhor. Um bom escritor é aquele que sabe contar histórias, e nesse assunto, King passeia dos contos de horror, ficção e vai até a cinema e roteiros de seriados como Arquivo X.


Confira:

1. Pare de assistir televisão. Ao invés disso, leia o quanto for possível

Se você está apenas começando como escritor, sua televisão deve ser a primeira a ir embora. “É venenosa para a criatividade”, afirma o autor. “Escritores precisam olhar para si próprios e se virar para a vida da imaginação”.

Para tanto, devem ler o quanto podem. King leva um livro consigo a qualquer lugar, e até lê durante as refeições. “Se você quer ser escritor, deve fazer duas coisas acima de todas as outras: ler muito e escrever muito”, diz. “Leia amplamente e trabalhe continuamente para refinar e redefinir seu próprio trabalho”.



2. Prepare-se para mais falhas e críticas do que imagina saber lidar

King compara escrever ficção com cruzar o Oceano Atlântico numa banheira, porque em ambos “há muita oportunidade para dúvidas sobre si. Não apenas você vai duvidar de si, mas outras pessoas também. Se você escreve (ou pinta ou dança ou esculpe ou canta, suponho), alguém vai tentar te fazer se sentir mau sobre isso, é tudo”.

“Constantemente, você tem de continuar escrevendo mesmo quando não se sente bem com isso. Parar um trabalho apenas por ser difícil, emocionalmente ou imaginativamente, é uma má ideia”, ele conta. E quando você falha, King sugere se manter positivo. “O otimismo é uma resposta legítima e perfeita à falha”.


3.Não desperdice tempo tentando agradar pessoas

De acordo com King, rudeza deve ser a menor das suas preocupações. “Se você pretende escrever tão verdadeiramente quanto pode, seus dias de uma sociedade polida estão contados de qualquer modo”. Ele costumava ter vergonha do que escreveu, especialmente após receber cartas raivosas o acusando de ser fanático, homofóbico, assassino e psicopata.

Por seus 40 anos, ele percebeu que todo escritor decente foi acusado de ser um desperdício de talento. King definitivamente se ajeitou com isso. Ele conta: “Se você desaprova, só posso encolher meus ombros. É o que tenho. Você não pode agradar todos os seus leitores o tempo todo”. Então, King aconselha que pare de se preocupar.


4. Escreva primeiramente para si mesmo

Você deve escrever porque isso te traz prazer. “Eu fiz pelo puro prazer. Se você pode escrever por prazer, pode fazer isso para sempre”, afirma ele.

O escritor Kurt Vonnegut ofereceu um conselho parecido: “Encontre um assunto com o qual você se importe e sinta em seu coração que outros deveriam se importar. É esse cuidado genuíno, não são seus jogos de linguagem que serão o elemento mais sedutor de seu estilo”.


5. Enfrente coisas que são mais difíceis de escrever

“As coisas mais importantes são as mais difíceis de dizer”, diz King. “São delas que você se envergonha porque as palavras diminuem seus sentimentos.” Muitos grandes trabalhos escritos vieram após horas de pensamento. Na cabeça de King. “A escrita é um pensamento refinado”.

Ao enfrentar tarefas difíceis, tenha certeza de que está cavando fundo. “Histórias são coisas encontradas, como fósseis no solo… são relíquias, parte de um mundo pré-existente não descoberto”. Escritores devem ser como arqueologistas, escavando o quanto puderem encontrar para uma história.


6. Quando estiver escrevendo, se desconecte do resto do mundo

“A escrita deve ser uma atividade totalmente íntima. Ponha sua mesa no canto do quarto e elimine todas as distrações possíveis – de telefones a janelas abertas.”

Mantenha total privacidade entre você e seu trabalho. Escrever o primeiro rascunho “completamente cru, que me sinto livre para fazer com a porta fechada”. É a história despida, apenas de meias e cuecas.


7. Não seja pretensioso

“Uma das piores coisas que você pode fazer para a sua escrita é enfeitar o vocabulário, procurar por palavras longas apenas por um pouco de vergonha das suas curtas”, afirma King. Ele compara esse engano a vestir um animal de estimação em roupas de entardecer – tanto o animal quanto o dono ficam envergonhados, porque é completamente excessivo.

Como David Ogilvy, grande ícone no mundo dos negócios, disse em uma carta a seus empregados: “Nunca usem jargões como recontextualizar, desmassificar, atitudinal, julgamental. São marcas de um imbecil pretensioso. Além disso, não use símbolos exceto quando necessário. O simbolismo existe para adornar e enriquecer, não para criar um senso artificial de profundidade” diz Stephen.


8. Evite advérbios e parágrafos longos

Como Stephen King enfatiza diversas vezes em seu livro, “o advérbio não é seu amigo”. “A estrada para o inferno está pavimentada com advérbios”, ele crê e os compara a dentes-de-leão que arruínam seu gramado. Os advérbios são piores depois de “ele disse”, “ela disse” – essas frases ficam melhores sem adornos.

Você também deve prestar atenção em seus parágrafos, para que fluam com as voltas e com o ritmo de sua história. “Parágrafos são quase sempre tão importantes como parecem, quanto pelo que dizem”.


9. Não seja apegado demais a gramática

De acordo com King, escrita é primeiro sobre sedução e não sobre precisão.

“A linguagem nem sempre precisa usar gravata e sapatos de laço. O objeto da ficção não é a certeza gramatical, mas sim fazer o leitor se sentir bem-vindo e o contar uma história. Você deve se esforçar em fazer a pessoa se esquecer de que está lendo uma. ”


10. Aprenda a arte da descrição

“A descrição começa na imaginação de quem escreve, mas deve terminar na de quem lê”. A parte importante não é escrever o suficiente, mas limitar o quanto será dito. Visualize a experiência que você quer proporcionar a quem lê, e então traduza o que vê em mente em palavras na página. Você precisa descrever coisas “de maneira a fazer o leitor sentir formigamentos”.

A chave para uma boa descrição é a clareza, tanto na observação quanto na escrita. Use imagens limpas e vocabulário simples para não cansar quem lê. “Em muitos casos, quando a pessoa põe a história de lado é porque ficou chata, e essa chatice veio porque o escritor se encantou com seus poderes descritivos e perde a vista de sua prioridade, que é manter a bola rolando”.


11. Não dê muitas informações de pano de fundo

“Você precisar se lembrar de que há uma diferença entre palestrar sobre o que sabe e usar seu conhecimento para enriquecer a história. Esta é ótima, aquela não”. Certifique-se de incluir detalhes apenas para mover a história adiante e persuadir a pessoa a continuar lendo.

Caso precise pesquisar, faça com que não encubra a história. A pesquisa deve se incluir nela “tão longe como um pano de fundo ou entrelinhas que você precisar”. Você pode se sentir envolvido pelo que aprende, mas os leitores vão se importar muito mais com suas personagens e enredo.


12. Conte histórias sobre o que as pessoas realmente fazem

“A má escrita é um problema de sintaxe e observação culposa. Geralmente, vem de uma recusa teimosa em contar histórias sobre o que as pessoas realmente fazem – encarar o fato, digamos, que as vezes um assassino ajuda uma senhora a atravessar a rua”. As pessoas nas suas histórias são os aspectos com os quais seu leitores mais irão se importar, e você deve se certificar de toda a dimensão das suas personagens.


13. Arrisque-se, não há jogo seguro

Primeiro e mais importante: pare de usar a voz passiva. É o maior indicador de medo. “Estou convencido de que o medo é a raiz de muitas más escritas”, diz Stephen King. Escritores devem jogar os ombros para trás, esticar as canelas e pôr a escrita a serviço.

“Tente qualquer coisa que goste, não importa quanto entediantemente normal ou ultrajante. Se funciona, ótimo. Se não, jogue fora.”


14. Entenda que você não precisa de drogas para ser um bom escritor

“Afirmar que esforço criativo e substâncias de alteração mental estão entrelaçados é um dos grandes mitos pop-intelectuais do nosso tempo”. Aos olhos de King, escritores usuários de drogas são apenas usuários. “Alegar que drogas e álcool são necessários para aflorar uma sensibilidade refinada é apenas um self-service de besteira”.


15. Não tente roubar a voz de outra pessoa

“Você não pode mirar um livro como um míssil”, afirma Stephen King. Quando você tenta imitar o estilo de outro escritor por qualquer motivo, você não produz nada além de imitações pálidas. Afinal, você nunca deve tentar reproduzir a maneira que alguém se sente e experimenta algo, principalmente sem prestar atenção a uma profunda análise de vocabulário e enredo.


16. Entenda que a escrita é uma forma de telepatia

“Todas as artes dependem de telepatia em algum grau, mas acredito que a escritá é pura destilação”, diz King. Um elemento importante da escrita é a transferência. Seu trabalho não é escrever palavras na página, e sim transferir ideias dentro da sua mente nas cabeças dos leitores.

“Palavras são apenas a mídia pela qual a transferência acontece”. Em seu conselho de escrita, Kurt Vonnegut também recomenda que escritores “usem o tempo de um total estranho de maneira que a pessoa não sinta ter desperdiçado tempo”.


17. Leva sua escrita a sério

“Você pode se aproximar do ato de escrever com nervosismo, empolgação, esperança ou desespero”, afirma King. “Faça isso de alguma maneira, mas de leve”. Se você não quer levar sua escrita a sério, ele sugere que você feche o livro e faça outra coisa.

Como a escritora Susan Sontag disse: “A história deve atingir um nervo – em mim. Meu coração deve parar de bater quando ouço a primeira linha em minha cabeça. Eu começo a tremer nesse risco”.


18. Escreva a cada dia

“Assim que começo um projeto, eu não paro e não desacelero a menos que eu absolutamente precise”, conta Stephen. “Se eu não escrevo todo dia a personagem começa a mofar em minha mente… começo a perder meu controle sobre o enredo e o ritmo”.

Se você falha em escrever diariamente a empolgação com a ideia pode começar a sumir. Quando o trabalho começa a parecer um trabalho, King descreve esse momento como “o beijo da morte”. O conselho dele é escrever uma palavra de cada vez.


19. Termine seu primeiro rascunho em três meses

King gosta de escrever 10 páginas por dia. Em um prazo de três meses, isso soma em torno de 180.000 palavras. “O primeiro rascunho de um livro – mesmo dos longos – não deve demorar mais de três meses, o tempo de uma estação”. Se você passa tempo demais em uma peça, King acredita que a história começa a ter uma sensação estrangeira.


20. Quando terminar de escrever, dê um longo passo para trás


King sugere seis semanas de “tempo de recuperação” após terminar a escrita. Assim, você pode ter a mente limpa para perceber quaisquer buracos no enredo ou no desenvolvimento da personagem. Ele afirma que a percepção original de uma personagem pelo autor pode ser tão faltosa quanto a do leitor.

Ele compara a escrita e a revisão com a natureza. “Quando você têm de escreve um livro, investe dia após dia escaneando e identificando as árvores. Quando termina, tem de dar um passo para trás e olhar a floresta”. Quando você encontra seus enganos, ele diz que “você está proibido de se sentir depressivo sobre eles ou de se bater. Confusões acontecem aos melhores de nós”.


21. Tenha coragem de cortar

Durante a revisão, escritores constantemente tem a dificuldade de abandonar palavras que eles escreveram por tanto tempo. Mas, como King aconselha, “mate suas queridas, mesmo quando isso quebra seu pequeno coração de escriba egocêntrico, mate suas queridas palavras”.

Apesar da revisão ser uma das partes mais difíceis da escrita, você precisa abandonar as partes chatas para avançar na história. Em seus conselhos sobre escrita, Kurt Vonnegt diz: “Se uma sentença, não importa quão excelente ela seja, não ilumina o assunto de maneira nova e útil, corte-a.”


22. Permaneça casado, seja saudável, tenha uma boa vida

King atribui seu sucesso a duas coisas: sua saúde física e seu casamento. “A combinação de um corpo saudável e um relacionamento estável com uma mulher auto-confiante que nada toma de mim ou de outra pessoa possibilitou a continuidade da minha vida profissional”, ele conta.

É importante ter um bom equilíbrio em sua vida para que a escrita não consuma tudo dela. Nos 11 “mandamentos da escrita” do pintor e autor Henry Miller, ele aconselha: “se mantenha humano! Veja pessoas, vá a lugares, beba se sentir-se bem para isso”.

Obs: essa excelente tradução foi feita pelo site homoliteratus