Sábias Palavras

quinta-feira, 7 de maio de 2015


Hoje publicamos mais um artigo para quem é apaixonado por livros, e aliás, pra quem não é também! Se você tem o desejo de se tornar um amante da literatura, mas encontra muitas dificuldades ou ainda gostaria aproveitar mais do seu tempo com os livros, esse post pode te ajudar.

Publicamos recentemente sobre porque você deveria ler menos livros esse ano, não é brincadeira! Hoje falaremos do extremo oposto, mas, que tal dar uma olhada no outro lado da moeda? Clique aqui e entenda.


Escolha bem seu livro



Essa é uma dica que pode ser até considerada óbvia, mas pode-se dizer que uma das partes mais importantes do processo de ler é fazer uma boa escolha do livro. E isso depende de alguns fatores além de uma boa capacidade para entender os momentos em que você está vivendo. É importante que você se entenda e compreenda além dos seus gostos e desejos. Todos passam por muitos momentos distintos no decorrer dos dias e nossas necessidades variam muito com estes.

Em um semestre muito agitado na faculdade é mais interessante escolher leituras leves, que não demandem muito esforço cognitivo. Uma temporada de trabalho estressante também solicita um livro que relaxe e seja um instrumento de prazer, que não cause mais enfado o obrigando a abandonar a leitura.

É possível que alguém desista de um livro porque o leu em um momento errado, talvez se o tivesse lido em outra situação fosse muito melhor aproveitado.

Faça boas escolhas!


Tenha bom planejamento e organização




Como não poderia ser diferente de outras milhões de coisas presentes em nossas vidas, a organização e o planejamento também trarão muitos benefícios para a leitura. Essa dica tem muito a ver com a dica anterior, pois também envolve escolhas bem feitas.

É muito interessante gastar algum tempo planejando sua lista de livros. É nesse momento que irá organizar a sua estante, fazer download de livros digitais, verificar a ordem de leitura mais interessante, organizar devidamente seu leitor digital etc. Não é necessário ter uma lista muito extensa, apenas uma boa noção de qual será o próximo livro a ser lido.

Os leitores desorganizados, como eu, podem ler muito menos do que gostariam. É muito comum encerrar um livro e não saber ao certo qual gostaria que fosse o próximo, isso provavelmente fará com que você use seu tempo para fazer outras coisas ao invés de ler.

Planeje e organize suas leituras, procure avaliar bem os momentos que está vivendo e os que virão. Lembre-se das semanas de provas, das viagens, do fechamento de mês no trabalho etc. Planeje suas futuras leituras com cuidado, seja organizado e colha bons frutos disso.


Tenha um leitor digital



Esse ponto pode ser considerado um pouco polêmico, pois é influenciado por gostos e hábitos pessoais. Entretanto não poderíamos deixar de mencionar a facilidade que um equipamento desses proporciona. Esses dispositivos podem te ajudar a aproveitar mais o seu tempo lendo ao invés de utilizá-lo para outras coisas muitas vezes banais.

Um leitor digital pode carregar todos os livros que desejar ler e possibilita, ainda, tê-lo sempre à disposição na mochila ou bolsa. Essa é uma excelente maneira de permanecer acompanhado do conteúdo que te interessa.

Como defensor dos leitores digitais sou até suspeito para falar, mas é legal mencionar que a leitura pode ser muito confortável utilizando esses dispositivos. Mesmo tendo o livro físico, às vezes faço o download do arquivo epub correspondente para ler no e-reader, o que é muito útil principalmente para aqueles livros enormes, pesados e desconfortáveis de serem lidos.

Um leitor digital não necessariamente vai substituir seus livros físicos, mas será uma ferramenta útil e adicional para que leia mais.

Confira outros artigos falando especificamente de leitores digitais:

Troque a internet por livros



Ninguém hoje em dia vive sem internet, mas todos concordam que muitas vezes esse instrumento ao invés de nos fornecer coisas, ele nos rouba. Tempo, o bem mais precioso que temos vai pro ralo e chegamos à conclusão que teria sido bem melhor ler um livro do que ter passado oito horas do seu dia amarrado na timeline do Facebook e outros sites que amanhã você não mais recordará.

Uma das grandes críticas à internet é que esta tem nos habituado a superficialidade. Então, se você chegou até aqui na leitura, esteja feliz por isso. O acesso facilitado a informação e a multiplicação destas tem gerado em nós a falta de paciência e até pouca vontade em nos aprofundarmos nas coisas. Conhece-se de tudo, mas se aprofunda muito pouco.

Finalizo com essa última dica: tente ir trocando a internet pelos livros, garanto que não se arrependerá.

Gostou das dicas? Não gostou? Tem dicas melhores? Tem alguma outra que gostaria de compartilhar? Não deixe de nos enviar o seu comentário. Compartilhe seu conhecimento =]



Calebe Ribeiro.


terça-feira, 28 de abril de 2015



Após alguns anos de espera, paciência e trabalho duro você acaba de comprar o seu carro zero. Entrar no automóvel é a ação mais esperada do dia, também pudera, ver aquele brilho a luz do sol, os plásticos nos bancos, aquele cheirinho característico!

Mas passam os meses e você nem lembra mais do seu carro, já não se preocupa tanto em cuidá-lo, lavá-lo, e o utiliza da mesma maneira como toma banho ou escova os dentes: algo natural, rotineiro e até sem graça.

O que isso tem a ver com eu e meus filhos?

Esse é um típico exemplo da chamada Psicoadaptação e eu me dedicarei a te alertar o motivo que você deve se preocupar com isso. Adianto que esse fator influencia a sua vida e continuará influenciando além de você a vida dos seus filhos.


O que significa Psicoadaptação?  


“A psicoadaptação é a incapapacidade da emoção humana de reagir frente à exposição repetida do mesmo estímulo.”



Os soldados nazistas que conviviam com um dos mais altos graus de maldade que a humanidade já viu, tiveram a concepção do sofrimento humano como natural e rotineiro. Dessa maneira eles perderam a capacidade de discernir as suas próprias emoções, sendo protagonistas de atos dos mais repugnantes e cruéis da história. Essa realidade influenciou grandemente esses indivíduos, afetando sua consciência, suas emoções e suas ações.
Percebe-se que a Psicoadaptação é, entre outros, um instrumento poderoso, que pode ser utilizado para manipular, subjugar, explorar, inclusive através de lavagem cerebral e infelizmente outros recursos.

E no nosso dia a dia, como a Psicoadaptação ocorre?


Permita-me responder essa pergunta com outra: O que nos tornamos quando achamos tão normal uma notícia na televisão mostrando tantas tragédias em nossos dias? Será que, guardando as devidas proporções, não estamos nos comportando por vezes de maneira semelhante aos soldados nazistas?

Essa rotina da nossa vida moderna pode se tornar um monstro, é preciso prestar atenção em como levamos nossas vidas e os resultados que obteremos. Será que nós não nos vacinamos contra um fator inconsciente que faz de nós seres que se adaptam as conquistas e mazelas como se elas fossem as coisas mais normais do mundo?

Meus filhos correm perigo por causa da Psicoadaptação?


Vamos direto ao ponto: Os filhos que recebem tudo o que pedem, podem crescer adaptados a uma situação exageradamente confortável. Esses futuros adultos terão uma dificuldade enorme em lidar com os caminhões de "nãos" que receberão durante a vida.
Podemos dizer que os pais que realmente se preocupam com o futuro dos seus filhos precisam entender um pouquinho do que significa Psicoadaptação. Pois, muito mais do que se habituar a ter tudo a mão, se acostumar a, sem qualquer esforço, conseguir as coisas que deseja é algo que ocorre de forma muito natural, mas os efeitos podem se tornar irreversíveis. Poupe seu filho do máximo de sofrimento que ele possa vir a ter no futuro!


O conhecimento move o mundo



Mesmo não sendo, nem de longe, um conhecedor de psicologia e as ciências que a acompanham, posso afirmar que é negligência viver sem se preocupar com os vícios de nossas habilidades psíquicas.
Somos o que há de mais complexo na existência e tão pouco fazemos para entender o poder que temos em nossas mentes. É preciso conhecer as capacidades que temos dentro de nós e aprender a lidar com as características que podem se tornar bênçãos, mas também maldições.

Entender um pouco sobre a  Psicoadaptação pode nortear as nossas decisões, nos auxiliar na criação dos nossos filhos, nos tornar pessoas melhores, mais sensíveis ao sofrimento humano e mais evoluídas em muitos sentidos. Conhecer o mundo "lá dentro" é mais valioso do que conhecer o mundo "lá fora".

Calebe Ribeiro.

Conheci o fenômeno da Psicoadaptação lendo Augusto Cury e volto a indicar a todos que procuram conhecimento e habilidade para saber viver. Passei a ser um grande admirador desse homem.

segunda-feira, 9 de março de 2015

O livro “Guia politicamente incorreto da história do Brasil”, de Leandro Narloch, é uma joia. Brasileiros de muitas idades e formações irão se surpreender com um conteúdo útil, interessante e transformador.

O título do livro pode levar a uma ideia muito errada a respeito de seu conteúdo. É fácil, devido ao contexto atual, ter em mente que a proposta é puramente humorística e até oportunista. A capa pode fazer alguns acreditarem tratar-se de um livro que contará acontecimentos engraçados no decorrer da história do Brasil. Confesso que essa foi a minha enganosa primeira impressão.

Isso deve ter ocorrido, pois a expressão “politicamente incorreto” tem sido exaustivamente comentada nos tempos atuais. Humoristas e pessoas ativas na mídia constantemente fazem uso dela para justificar e defender seus métodos de trabalho, assegurar seu direito e liberdade de expressão.

Esse tipo de situação pode até nos levar a acreditar que o autor aproveitou-se de um momento muito oportuno para tratar desse assunto e ter um sucesso garantido, empurrando seu conteúdo. Entretanto, julgo essa obra excelente e falarei dos motivos.

Ao iniciar a leitura você já percebe que o autor não tem intenção de soar engraçado, mas sim fornecer um conhecimento histórico rico e honesto. A proposta do livro é apresentada e logo cumprida: desmistificar a visão romântica da história do Brasil e escancarar muitas verdades omitidas desde a época do descobrimento. Leandro Narloch inverte o ângulo analítico dos fatos históricos colocando o leitor de frente a mazelas de mocinhos e atos humanitários de vilões. Precisamos encarar a honestidade do conteúdo mencionada com cuidado, me refiro aqui a fugir do que chamamos de tendencioso.

A narrativa corre leve e te insere em um contexto muito simples, onde afirmações como “Zumbi tinha escravos”, “Os portugueses ensinaram os índios a preservar a floresta”, “Quem mais matou índios foram os próprios índios” fazem muito sentido. O leitor é convidado, às vezes, a apenas colocar o seu raciocínio lógico para funcionar e concluir que muita informação lhe foi omitida dos livros e sua educação vem sendo manipulada desde muito cedo. Fica claro que muitas das visões que temos nos foram condicionadas pela tendenciosa educação que imputa-nos ignorância e preconceitos há séculos. Existe um mar de acontecimentos e documentos históricos que contrariam muito a história aprendida na escola, não seria mais honesto também dar voz a eles?

É importante ter cuidado ao ler o livro e não se embriagar com o próprio veneno. O seu conteúdo não deve ser promovido a uma nova verdade límpida, distante de falhas ou impassível das mesmas críticas que os próprios argumentos utilizam. Em muitos momentos as fontes utilizadas são poucas ou inexistentes. A joia mencionada no início do artigo é estar em contato com muitas informações que contrariam todo o embasamento histórico que a maioria esmagadora possui, porém um leitor desatento pode simplesmente ser o mesmo manipulado de sempre, ao invés de ter seu senso crítico aprimorado.

A boa notícia ao encerrar o livro é que existem mais vários outros volumes que, pra mim, se tornou leitura obrigatória. Indico o livro a todos que não tem medo de explorar vários lados de uma história e abalar sua estrutura de conhecimento sobre o Brasil. Vale encerrar comentando que o livro não tem pudor nenhum em “enfiar o dedo nos olhos” de orgulhos nacionais como o samba e personalidades como Aleijadinho e Santos Dummont. Porém o benefício maior dessa leitura deve ser o aguçamento da sua capacidade analítica, te mostrando a obrigatoriedade de avaliar sempre mais de um lado de uma mesma história, ainda que esta esteja em quase 100% dos livros que você estudou na escola.

Calebe Ribeiro.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015


O que leva uma pessoa a ler uma centena de livros em um ano? Os motivos são cultura, conhecimento e, entre outros, entretenimento. Se estiver motivado pura e simplesmente em se entreter com a literatura, é até aceitável. Se há amor por leitura, tempo disponível e paixão por romances, talvez seja bem melhor mesmo ler centenas de livros. Ainda assim, alguns argumentos poderiam empoeirar um pouco a beleza dessa ideia.

Tenho a impressão de que uma estante cheia de livros, uma lista vasta de leitura, um perfil no skoob abarrotado de resenhas e leituras marcadas, seja, em muitos casos, apenas uma questão de “ostentação literária”: ostentar a quantidade de livros que leu – ou fingiu que leu. Mesmo quem realmente leu 250 livros no ano, é tentado a exibir seus números, vangloriar-se por isso, como instrumento de status entre amigos.

A questão é: será que houve real absorção? Será que foi-se a fundo em todos os livros lidos? Não estou criticando leitores de muitos livros, mas sim aquele tipo de afirmação que nos é dita: “é preciso ler, pelo menos, 50 livros por ano”. O número de livros varia, mas a minha discordância com essa afirmação permanece.

Um bom livro pode tornar-se um diamante para o cérebro. Mas um leitor que faz aquela leitura apressada, com uma ânsia por encerrar o livro e prontamente informar a sociedade que leu mais um livro, provavelmente não absorveu toda a preciosidade que a obra tem para oferecer. Não estou julgando a capacidade cognitiva de ninguém, mas, falando de minhas habilidades particulares, uma leitura apressada não me trará 1% de aproveitamento.

É muito melhor ler poucas obras de qualidade, alimentando-se de sua fonte, anotando suas ideias, descobrindo o significado de novas palavras, lendo e relendo capítulos inteiros diversas vezes, resumindo partes marcantes, produzindo textos com base no que aprendeu... Do que ler uma centena de livros e ao final do ano concluir que todos foram compreendidos apenas superficialmente e que, ainda, o potencial que você tinha para se transformar por meio de cada livro foi jogado fora.

Leia menos se for preciso, mas leia com um caderno e um lápis na mão. Diminua seu plano de leitura caso convenha, mas mantenha um dicionário todas as vezes que estiver lendo para não subaproveitar o aprendizado. Volte páginas diversas vezes se necessário, mesmo que isso sacrifique a sua meta de 20 livros nesse mês. Escreva o mesmo texto com suas palavras, não se sinta obrigado a finalizar logo esse livro.

Nós precisamos mais do que certificados, mais do que livros, mais do que números. Nós precisamos de conhecimento. Dê a cada livro o tempo que ele merece de você e obtenha dele o melhor retorno possível. Tenha uma meta de conhecimento, emoção e diversão, e deixe de lado sua egoísta ostentação literária.

Calebe Ribeiro.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015


Existe uma sociedade cantando em alta voz pela transformação do mundo: “Jovens, saiam de casa e mudem o mundo!”. Infelizmente grande parte dessa massa motivada ainda não se perguntou: “O que é mundo?”.

Jovens tentados por serpentes, ou apenas ignorantes, são convidados a lutar por um mundo diferente. Mas será que eles sabem o que levou o lugar que vivem a chegar onde está? Assim milita uma massa vigorosa, que tenta levar-nos de nada para lugar nenhum.

Um mar de adultos exige opiniões formadas de gente que anteontem usava fraldas, estratégias de guerra de quem ainda sente o gosto da chupeta na boca. É inquestionável o potencial do jovem, mas se ele tiver um pseudoconhecimento pode se tornar apenas um torpedo que explodirá em algum lugar de um mundo transformado. Infelizmente esse jovem não sabe ao certo que mundo surgirá das cinzas.

Só há transformação a partir do conhecimento, qualquer mudança que não se baseie no saber trará resultados indiferentes. Esse tipo de luta apenas sugará a força do jovem, que circundará o mundo para chegar no mesmo lugar onde estava.

Um mundo transformado e evoluído só será alcançado quando o coral da sociedade afinar as vozes para a canção do conhecimento. Só pedimos a Deus que o amor permeie essa luta rumo à sabedoria.

Calebe Ribeiro.

Leitura indicada: O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, Olavo de Carvalho

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Em uma entrevista concedida a revista Rolling Stone, Stephen King explica os motivos pelos quais não gosta da versão de Stanley Kubrick para o cinema de seu livro "O Iluminado".


"Ao longo dos anos, você sempre criticou o filme O Iluminado, de Stanley Kubrick. Fica surpreso com o culto construído ao redor do longa?

Eu não entendo. Mas há muitas coisas que não entendo. As pessoas obviamente adoram o filme, e não compreendem por que eu não gosto. O livro é quente, o filme é frio; o livro termina com fogo, e o filme, com gelo. No livro, existe um verdadeiro arco em que você vê este sujeito, Jack Torrance, tentando ser bom, mas que, pouco a pouco, vai se tornando maluco. E, quando assisti ao filme, Jack era louco desde a primeira cena. Tive que ficar com a boca fechada na época. Era uma exibição antecipada, e Jack Nicholson estava presente. Mas fiquei pensando comigo mesmo, no momento em que ele apareceu na tela: “Ah, eu conheço esse cara. Eu já o vi em cinco filmes de motoqueiro, em que Jack Nicholson fazia o mesmo papel”. E é tão misógino. Quero dizer, Wendy Torrance simplesmente é apresentada como uma dona de casa que não para de berrar. Mas essa é só a minha opinião, é só o jeito como eu sou."
por Andy Greene Revista Rolling Stone.

Não há alguém melhor que o próprio autor para lembrar-nos: assistir o Iluminado é se entreter com uma boa obra, mas muito distante dos sentimentos de seu livro. Existem dois Jacks diferentes no  livro e no filme. Podemos dizer que quem assiste o filme após ter lido o livro não tem a sensação de que eles são o mesmo personagem.

Não podemos dizer o mesmo de O Clube da Luta escrito por Chuck Palahniuk. A essência dos personagens é magistralmente bem captada e repassada pelo diretor David Fincher aos espectadores. A aura do livro e do filme tem uma ótima sintonia.

Deixamos aqui a sugestão de leitura de O Iluminado do gênio Stephen King. O trabalho impecável realizado nesse livro é digno de ser lido e relido. Arrisco dizer que até mesmo pessoas, que não se julgam fãs de horror, ainda irão se apaixonar por essa obra.

Calebe Ribeiro.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015



A infância é amiga dos sonhos e os sonhos são queridos das crianças. Os pequeninos olham para baixo e enxergam mais do que chão, erguem os olhos e vislumbram mais do que o céu.

Sem intenção, crianças tem o poder de nos cativar por infinitos motivos. Elas fazem com que enxerguemos nós mesmos e perguntemos: "O que aconteceu?".

Em que momento da vida deixei escapar a minha infância?
Em qual rua da vida ficou a criança que um dia fui? 
Quais eram mesmo os meus sonhos de pequenino?

Os infinitos de um menino podem ser muito maiores que os meus. Uma menininha indefesa pode ter pensamentos muito mais altos, universos com mais estrelas e mundos alternativos, que eu, adulto, não sou capaz de inventar.

Isso me faz lembrar uma pequena falante com energia que um dia também tive para "dar e vender". Correndo pela casa, brincando com o controle remoto da TV... A pequena é feita de sorrisos dos protagonistas e dos espectadores.

Sempre sorrisos, embora nem sempre contente - ou talvez sim. Pequena falante - de voz e de imaginação. Os pensamentos saltam de sua mente, exteriorizam pelo ar e alcançam lugares já esquecidos - não por ela, por mim.

Assim como ontem, ela se surpreende olhando para o céu e ali pode ver novamente: um avião que carrega tudo e todos. O avião também leva seu coração, sua alma, seus sonhos. Debruçada sobre qualquer coisa, ela está onde quer e sente saudade. A saudade muitas vezes é pura e simplesmente amor.

A rota é a mesma... e o avião? Para ela, sim.

Por instantes, a menina voa com ele e chama por alguém:

- Desça, minha amiga! Venha brincar brincar comigo!

Todos os aviões do mundo carregam sua amiga que mora distante. Essa amiga é "tudo".

As respostas que chegam da realidade para a menininha não são tão belas como as pequenas sementinhas que florescem em sua fértil mente. O avião rasga o céu até ela o perder de vista, o pássaro voador não pousa, a amiga não chega.

As respostas da realidade não importam tanto, amanhã o avião passará novamente e ela estará ali no mesmo lugar. Deixará seus brinquedos de lado, olhará o horizonte e esperará por aquele grande objeto que carrega suas vontades.

Os sonhos de criança podem se tornar gigantes mesmo morando em um coração tão pequeno.

A amizade também viaja no avião, todos eles são como um só: todos carregam sempre sua saudade e sua infância.

-Paraquedas!

Existem meios, ela sabe.

Calebe Ribeiro.